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Economia Grande Vitória · 21 Mai 2026

Comércio atacadista do ES cresce 151% em 5 anos e redefine economia estadual

Setor dobra participação na arrecadação ICMS estadual, pulando de 15,1% para 29,1% entre 2022 e 2025. Transformação econômica atrai tradings e distribuidoras, moldando desenvolvimento da Grande Vitória.

Comércio atacadista do ES cresce 151% em 5 anos e redefine economia estadual

Explosão de crescimento redefine arrecadação estadual

O setor atacadista do Espírito Santo multiplicou sua importância na economia estadual em apenas três anos. Segundo levantamento da Apex Research em parceria com o Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do ES (Sincades), a participação desse setor na arrecadação ICMS estadual quase dobrou entre 2022 e 2025, crescendo de 15,1% para 29,1%. Em termos absolutos, a contribuição saltou de R$ 2,61 bilhões para R$ 6,64 bilhões — um aumento de R$ 4,03 bilhões em apenas três anos.

Quando se observa a série histórica de 2020 a 2025, o ICMS gerado pelo atacado avançou impressionantes 151% nominalmente, enquanto o ICMS total do estado cresceu apenas 7,3% ao ano. De 2015 a 2025, o índice do ICMS atacadista capixaba alcançou 304,6 (base 100 = 2015), superando significativamente a média nacional de 243,3.

Tradings e distribuidoras dominam ranking econômico

Esse crescimento explosivo transformou o setor atacadista na força motriz da economia capixaba. Na 29ª edição do Anuário IEL 200, divulgado pela Findes em 2025, três das cinco maiores empresas do Espírito Santo são tradings e atacadistas. A Comexport Trading lidera com receita operacional líquida de R$ 34,6 bilhões, a Sertrading aparece em quarto lugar com R$ 15,9 bilhões e a Timbro Trading em quinto com R$ 14 bilhões. É a primeira vez na história do anuário que uma empresa não-industrial ocupa o topo da tabela.

Esse protagonismo foi construído sobre um incentivo fiscal: o Compete-ES Atacadista, programa estadual que atrai distribuidoras e tradings através de benefícios no ICMS. O movimento ganhou força especialmente na década passada, transformando o Espírito Santo na maior porta de entrada de carros e aeronaves executivas do Brasil.

Grande Vitória concentra 61% das operações

A Grande Vitória concentra 61% das empresas do setor atacadista, com 2.488 estabelecimentos registrados. Na comparação com outros estados, o Espírito Santo lidera em participação do atacado no total de empregos (5,1%) e é segundo em empregos por 100 mil habitantes (1.468), segundo dados da RAIS 2024. O impacto nos municípios é tangível: em 2025, R$ 1,66 bilhão do ICMS atacadista foi repassado às prefeituras capixabas via cota-parte.

Risco: reforma tributária ameaça modelo

O cenário de oportunidades enfrenta um risco significativo: a Reforma Tributária em curso. A substituição progressiva do ICMS pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), prevista para vigorar a partir de 2027, elimina a base legal dos incentivos estaduais que sustentaram esse crescimento. O estudo da Apex projeta uma potencial perda de R$ 9,8 bilhões em ICMS atacadista para 2033, quando o novo sistema estará plenamente implantado.

O que isso significa para o mercado imobiliário

O crescimento explosivo do atacado é um dos principais motores de aquecimento econômico da Grande Vitória dos últimos anos. Maior ICMS arrecadado significa maior capacidade de investimento municipal em infraestrutura, mobilidade e serviços — todos fatores que aumentam a atratividade de regiões para investimento imobiliário. A presença massiva de tradings e distribuidoras atrai mão de obra qualificada, gerentes, executivos e empreendedores que demandam moradia de qualidade.

Para investidores imobiliários, o crescimento do atacado sinaliza aquecimento econômico sustentável na região. Cidades como Aracruz e Serra, onde o ICMS atacadista representou 36,7% e 27,7% da arrecadação municipal respectivamente em 2024, experimentam especial dinamismo econômico. No entanto, a ameaça da reforma tributária merece atenção: a perda potencial de R$ 709 milhões em capacidade de investimento municipal (em cenário de queda de 50% na arrecadação) pode impactar desenvolvimentos de infraestrutura e, por extensão, valorização imobiliária em médio prazo.

Baseado em informações publicadas por Folha Vitória.

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